O que é Bar e o que é PSI?
Pressão é a força aplicada sobre uma área. Quanto menor a área em que a força atua, maior é a pressão resultante. É por isso que uma faca afiada corta um tomate com facilidade, enquanto uma faca cega, com a mesma força, não consegue.
Bar e PSI são duas unidades diferentes para medir essa mesma grandeza física. A diferença entre elas está no sistema de medida de cada país.
Bar: a unidade métrica
O bar é uma unidade de pressão do sistema métrico, definida como exatamente 100.000 pascais. Segundo o registro histórico da própria definição da unidade, foi criada em 1906 pelo meteorologista norueguês Vilhelm Bjerknes, um dos fundadores da meteorologia moderna. O nome vem da palavra grega baros, que significa peso.
O bar não é uma unidade oficial do Sistema Internacional de Unidades, mas é legalmente reconhecido em países da União Europeia desde 2004 e segue amplamente usado no Brasil, na Europa e em boa parte da América Latina em contextos práticos como pneus, compressores e mergulho.
PSI: a unidade imperial
PSI significa pound-force per square inch, ou libra força por polegada quadrada. É a pressão exercida por uma força de uma libra sobre uma área de uma polegada quadrada. A unidade vem do sistema avoirdupois, usado na Inglaterra desde cerca do ano 1300, originalmente no comércio de lã.
Hoje, o PSI é o padrão nos Estados Unidos e no Reino Unido, mas também aparece com muita frequência em manuais e etiquetas de carros vendidos no Brasil, por influência da indústria automotiva americana e inglesa.
O que diz a regulamentação brasileira
No Brasil, quem define as unidades de medida oficiais é o CONMETRO, o Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial. Conforme a Resolução CONMETRO 12/1988, o pascal é a unidade de pressão do Sistema Internacional, e o uso de outras unidades, como atmosfera, bar e mmHg, é admitido apenas de forma temporária. O INMETRO, Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial, é o órgão que executa essas normas na prática.
Vale notar que nem o PSI nem o kgf/cm² são mencionados pelo CONMETRO como unidades reconhecidas, mas ambos seguem em uso constante no dia a dia brasileiro, principalmente na calibragem de pneus e em equipamentos hospitalares. Essa é uma particularidade pouco explicada em outros conteúdos sobre o tema: o padrão oficial e o padrão realmente usado nas ruas não são o mesmo.
Onde cada unidade é usada hoje
Etiqueta de pneus de carros nacionais
Etiqueta de pneus de carros importados da Europa
Mergulho, cilindros de gás
Compressores e sistemas pneumáticos industriais
Irrigação e sistemas hidráulicos
Equipamentos hospitalares (respiradores, oxigênio)
Meteorologia
| Contexto | Unidade mais comum no Brasil |
|---|---|
| Etiqueta de pneus de carros nacionais | PSI, apesar do Brasil ser um país de sistema métrico |
| Etiqueta de pneus de carros importados da Europa | Bar |
| Mergulho, cilindros de gás | Bar |
| Compressores e sistemas pneumáticos industriais | Bar ou MPa |
| Irrigação e sistemas hidráulicos | Bar ou m.c.a. |
| Equipamentos hospitalares (respiradores, oxigênio) | kgf/cm², cmH2O, kPa |
| Meteorologia | Milibar |
Fórmula de conversão de Bar para PSI
PSI = Bar × 14,5038
Bar = PSI ÷ 14,5038
Exemplo prático
Um pneu está calibrado em 2,2 bar. Quanto isso representa em PSI?
Cálculo
2,2 × 14,5038 = 31,91 PSI
Esse valor não é aleatório. 2,2 bar, ou cerca de 32 PSI, é uma das pressões mais comuns em carros de passeio no Brasil, o que explica por que essa conversão específica é tão buscada.
Por que o fator é exatamente 14,5038?
A resposta está na definição de cada unidade em pascal, a unidade padrão internacional de pressão segundo o NIST (National Institute of Standards and Technology).
1 bar equivale a 100.000 pascais.
1 PSI equivale a 6.894,76 pascais.
Dividindo 100.000 por 6.894,76, chegamos a 14,5038. É esse número que conecta as duas unidades, porque ambas medem a mesma grandeza física em escalas diferentes.
Tabela completa de Bar para PSI
1 bar
1,8 bar
2 bar
2,1 bar
2,2 bar
2,5 bar
3 bar
4 bar
5 bar
| Bar | PSI |
|---|---|
| 1 bar | 14,50 PSI |
| 1,8 bar | 26,11 PSI |
| 2 bar | 29,01 PSI |
| 2,1 bar | 30,46 PSI |
| 2,2 bar | 31,91 PSI |
| 2,5 bar | 36,26 PSI |
| 3 bar | 43,51 PSI |
| 4 bar | 58,02 PSI |
| 5 bar | 72,52 PSI |
1,0
1,5
2,0
2,5
3,0
3,5
4,0
4,5
5,0
5,5
6,0
6,5
7,0
7,5
8,0
8,5
9,0
9,5
10,0
| Bar | PSI |
|---|---|
| 1,0 | 14,50 |
| 1,5 | 21,76 |
| 2,0 | 29,01 |
| 2,5 | 36,26 |
| 3,0 | 43,51 |
| 3,5 | 50,76 |
| 4,0 | 58,02 |
| 4,5 | 65,27 |
| 5,0 | 72,52 |
| 5,5 | 79,77 |
| 6,0 | 87,02 |
| 6,5 | 94,28 |
| 7,0 | 101,53 |
| 7,5 | 108,78 |
| 8,0 | 116,03 |
| 8,5 | 123,28 |
| 9,0 | 130,54 |
| 9,5 | 137,79 |
| 10,0 | 145,04 |
15
20
25
30
35
40
45
50
| Bar | PSI |
|---|---|
| 15 | 217,56 |
| 20 | 290,08 |
| 25 | 362,59 |
| 30 | 435,11 |
| 35 | 507,63 |
| 40 | 580,15 |
| 45 | 652,67 |
| 50 | 725,19 |
55
60
65
70
75
80
85
90
95
100
| Bar | PSI |
|---|---|
| 55 | 797,71 |
| 60 | 870,23 |
| 65 | 942,75 |
| 70 | 1015,27 |
| 75 | 1087,78 |
| 80 | 1160,30 |
| 85 | 1232,82 |
| 90 | 1305,34 |
| 95 | 1377,86 |
| 100 | 1450,38 |
120
150
180
200
| Bar | PSI |
|---|---|
| 120 | 1740,46 |
| 150 | 2175,57 |
| 180 | 2610,68 |
| 200 | 2900,76 |
A conversão de Bar para PSI muda com a temperatura ou altitude?
A relação matemática entre bar e PSI nunca muda. 1 bar sempre será 14,5038 PSI, em qualquer lugar do planeta, porque é uma conversão fixa entre duas escalas.
O que muda é a pressão real dentro de um pneu ou cilindro, e isso acontece por causa da física dos gases, não da conversão em si. Quando o ar esquenta, ele se expande, e a pressão sobe. Segundo técnicos automotivos brasileiros, a cada 10°C de aumento na temperatura, a pressão do pneu sobe cerca de 1 PSI. Um pneu calibrado a 32 PSI numa manhã fria pode marcar 36 PSI no calor do meio-dia, mesmo sem nenhum ar ter sido adicionado.
Por essa razão, recomenda-se sempre calibrar com o pneu frio, ou seja, com o carro parado por pelo menos duas horas ou que tenha rodado menos de 3 quilômetros. Calibrar com o pneu quente e depois "esvaziar" para o valor recomendado deixa o pneu abaixo do ideal quando ele esfriar de novo.
A altitude também influencia a leitura de um manômetro comum, porque esses aparelhos medem a diferença entre a pressão interna e a pressão do ar ao redor. Em altitudes elevadas, a pressão atmosférica é menor, então a leitura pode variar levemente em relação ao nível do mar, mesmo que a quantidade de ar dentro do pneu não tenha mudado.
Resumindo: a fórmula de conversão é constante. A pressão física medida é que varia com temperatura e altitude.
Pressão manométrica e pressão absoluta: o que muda na conversão
Existem duas formas de medir pressão. A pressão absoluta é medida a partir do vácuo total, o zero absoluto de pressão. A pressão manométrica, também chamada de pressão relativa, é medida a partir da pressão atmosférica ao redor, que já vale cerca de 1 atmosfera, ou 14,696 PSI, ao nível do mar segundo a Wikipédia em português sobre a unidade PSI.
Em inglês, essa diferença aparece explicitamente nas siglas psia, para pressão absoluta, e psig, para pressão manométrica. Um exemplo real ajuda a entender: uma leitura de 835 mmHg manométricos equivale a cerca de 30,8 PSI em pressão absoluta, porque é preciso somar a pressão atmosférica local ao valor medido.
Na prática, quando alguém calibra um pneu ou lê um manômetro comum, o valor mostrado já é pressão manométrica. O aparelho desconta automaticamente a pressão do ar ao redor. Por isso, a fórmula de conversão usada no dia a dia, multiplicar por 14,5038, já é pensada para esse tipo de leitura, sem necessidade de ajustes extras.
Em contextos de engenharia mais precisos, como cálculos de vácuo ou sistemas aeroespaciais, essa diferença passa a ser essencial e deve ser indicada de forma explícita.
Onde a conversão de bar para PSI é usada na prática
Calibragem de pneus no Brasil
Um ponto pouco explicado é que, embora o Brasil siga o sistema métrico, a maioria das etiquetas de calibragem de carros nacionais mostra a pressão em PSI, não em bar, por influência histórica da indústria automotiva americana. Já carros importados da Europa costumam trazer a informação em bar. Por isso, é comum encontrar as duas unidades lado a lado em adesivos de calibragem, como "2.1/30", onde 2,1 é o valor em bar e 30 é o equivalente em PSI.
Alguns valores de referência usados por oficinas brasileiras, sempre com o carro leve e conforme a etiqueta do fabricante:
Fiat Uno
Fiat Palio
Fiat Strada (dianteiro)
Fiat Idea
Chevrolet Celta
Ford Fiesta
Ford EcoSport
| Modelo | Pressão leve (PSI) | Equivalente em bar |
|---|---|---|
| Fiat Uno | 28 PSI | 1,93 bar |
| Fiat Palio | 28 PSI | 1,93 bar |
| Fiat Strada (dianteiro) | 28 PSI | 1,93 bar |
| Fiat Idea | 29 PSI | 2,00 bar |
| Chevrolet Celta | 27 PSI | 1,86 bar |
| Ford Fiesta | 30 PSI | 2,07 bar |
| Ford EcoSport | 30 PSI | 2,07 bar |
Esses números variam de acordo com ano, versão e carga do veículo, por isso a etiqueta na porta do motorista ou o manual do proprietário sempre prevalecem sobre qualquer tabela genérica. Em picapes como Strada e Saveiro, o pneu traseiro pode chegar a 43 ou 50 PSI quando o veículo está carregado, uma diferença bem maior do que em carros de passeio comuns.
Manter a pressão correta reduz o consumo de combustível em até 5% a 10%, aumenta a vida útil do pneu e melhora a distância de frenagem. Pneus com pressão baixa se deformam mais e esquentam mais rápido, o que aumenta o risco de estouro em viagens longas.
Compressores de ar
Ao escolher um compressor, a pressão é um dos fatores mais importantes, mas pressão mais alta não significa necessariamente melhor. O ideal é escolher a menor pressão que atenda ao equipamento, o que economiza energia.
Um roteiro simples para essa escolha:
- 1. Verifique a pressão exigida pela ferramenta pneumática, geralmente indicada em bar no manual.
- 2. Some uma perda estimada de 0,5 a 1 bar para compensar tubulações, filtros e conexões.
- 3. Adicione uma margem de segurança de 10% a 15% para picos de uso.
- 4. Escolha um compressor com a capacidade resultante desse cálculo.
Por exemplo, se a ferramenta exige 6 bar, somar 1 bar de perda e a margem de segurança leva o total para cerca de 7,5 a 8 bar, o equivalente a 108 a 116 PSI.
Irrigação e sistemas hidráulicos
Em bombas, pulverizadores e sistemas de irrigação, é comum encontrar especificações em bar, PSI e também em m.c.a., metros de coluna de água. Essa terceira unidade representa a altura de uma coluna de água necessária para gerar determinada pressão, o que é útil quando se pensa em caixas d'água e reservatórios em desnível.
Uma equivalência prática facilita muito esse tipo de projeto: 1 bar corresponde a aproximadamente 10 m.c.a. Se uma caixa d'água está 5 metros acima do ponto de uso, esse ponto recebe cerca de 5 m.c.a. de pressão, o que equivale a 0,5 bar ou aproximadamente 7,25 PSI. Esse cálculo é usado no dimensionamento de bombas e na escolha de gotejadores e aspersores em projetos rurais e residenciais.
Mergulho e cilindros de gás
No mergulho, a pressão dos cilindros costuma ser medida em bar, principalmente fora dos Estados Unidos. Um cilindro cheio geralmente contém cerca de 200 bar, o equivalente a aproximadamente 2.900 PSI. Mergulhadores que treinam em países diferentes precisam entender as duas escalas para interpretar corretamente o manômetro do cilindro.
Indústria, engenharia e uso hospitalar
Em ambientes industriais, pressões mais altas costumam ser expressas em MPa ou kPa, já que o uso direto de pascal resultaria em números muito grandes. A norma ABNT NBR ISO 80000-4 padroniza os nomes, símbolos e fatores de conversão entre pascal, bar e PSI para garantir consistência em projetos de engenharia no Brasil.
Um uso menos conhecido aparece na área da saúde. Segundo artigo publicado na revista Pulmão RJ, equipamentos hospitalares como respiradores e reguladores de oxigênio costumam usar cmH2O, kgf/cm² ou kPa, unidades que também não fazem parte da lista oficial do CONMETRO, mas que seguem amplamente empregadas em hospitais brasileiros. Um reservatório de oxigênio, por exemplo, costuma operar entre 3 e 4 kgf/cm², o que corresponde a aproximadamente 300 a 400 kPa.
Meteorologia
A pressão atmosférica é tradicionalmente medida em milibar, uma unidade derivada diretamente do bar e equivalente a um hectopascal. Meteorologistas do mundo todo já usavam o milibar em mapas do tempo antes da adoção mais recente dos hectopascais, uma prática que remonta à própria criação do bar por Vilhelm Bjerknes.